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sábado, 3 de março de 2012

Era mentira, Zé




Ei, Zé. Lembra quando eu te disse que ele me amava, lembra quando eu disse que ele precisava de mim mais que tudo? Era tudo mentira, Zé. Ele nunca me amou, ele só me usava, sem nenhuma verdade, era tudo mentira. Eu dei o meu coração a ele e ele me deu em troca falsas promessas, Zé. Qual era a dele? Fazer mais uma garota imaginar um futuro lindo e depois ir embora? – As lagrimas caíram pelo rosto dela – Eu o amei, eu pensei em ter filhos com ele, eu achei que poderia contar com ele pra tudo, Zé, mas agora eu sei que só você vai estar comigo quando eu quiser ou não. Eu te amo, Zé. – E com um sorriso feliz, colocou o seu urso de pelúcia no alto da estante.

Naianara Barbosa

Apenas um sorriso



E foi visto claramente e por todos aquele sorriso vazio, mas cheio, aquele olhar que dizia tudo que estava preso no pensamento. Mas só alguns conseguiram entender o que ele queria dizer. Ele trazia uma simples mensagem que não precisava de palavras para ser compreendida, bastava um sorriso. E então eu me perguntei o porque dela sorrir diante de tudo que estava acontecendo, o que afinal ela queria esconder, e uma frase surge, uma frase que me fez compreender tudo que aquele sorriso queria passar,  uma frase que dizia: “Tua proteção esta em ti. Tu tens um escudo, uma arma, uma mentira e até mesmo uma força só sua. Tu tens um sorriso, pequena.”

Naianara Barbosa

Lágrimas de um poeta


E ai eu descobri a pior loucura de um homem, sofrer calado. E eis que nesse mesmo dia descubro a maior loucura de um poeta, transcrever teus sentimentos e banhar as lagrimas com a sua dor. Acho que descobriu-se um poeta em meio ao sofrimento e a ironia. Um falso poeta, talvez. Que transcreve o que sente de forma calma e dolorosa, e que se acalma ao dividir tuas lagrimas que caem mesmo por quem não merece.


Naianara Barbosa

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dois, simplesmente




Parece tão pouco
Tão vazio
Tão nada
Que não cabe em muitos

Mas os poucos...
Esses sim sabem entender
A necessidade desse pouco
Que aumenta a cada olhar

Dois...
Desprezado, deixado de lado
Conhecido, mas esquecido
Que se mostra sem valor

Dois...
Quem sabe aproveitar
Quem um dia entenderá
Que o seu significado tem pudor

Dois....
Tudo que é bom
Dobrado virá
E o que é ruim, dividido estará

Cada qual com sua percepção
Qualquer um sabe diferenciar
Muito, de verdadeiro
Escolha, de opção

E que eu aproveite
O dobro de tudo que vier
As duas melhores canções
Tenho em mim, como quiser

As duas melhores flores
Que não são rosas nem jasmins
As duas que estão no meio
De todas que vieram a mim.

Naianara Barbosa

Um alguém


As lagrimas estao correndo, de raiva, de ódio, de dor, por causa de uma pessoinha que só faz me magoar. Diz que me dá tudo, diz que faz tudo pra eu ser a pessoa que ela espera, mas cadê o amor que eu preciso, cadê a atenção que eu pensei que teria? Eu não sou quem ela pensava ser, e ela não é o que eu sempre imaginei que era. Eu só queria mais um pouco de amor, de atenção. Quem são meus amigos agora? Só os que me fazem companhia nessas horas são as lagrimas e a solidão, essa solidão desesperadora, que olha pro lado e não ve nada nem ninguém, nem as pessoas que disseram que iam estar comigo todo o sempre. O que vem a ser o sempre, então? Preciso de atitudes, porque palavras eu já estou decorando. Não pensei que ia ser assim, não pensei que ia passar por isso. Só queria ter a opção de pular essa parte melancólica da minha vida. Pra que passar por tudo isso, qual a finalidade? Dizem que Deus da o frio conforme o cobertor, mas a tempestade que tá acima de mim rasgou todo o cobertor e agora tenho que me virar com o calor do meu corpo, e com a minha vontade de continuar aqui. Ate que ir embora não seria uma má ideia, não desse lugar, mas desse mundo. Deixar que todos se livrassem de mim, talvez. As pessoas te valorizam até o momento em que acha algo melhor para valorizar, e ai, você acaba virando opção, uma das ultimas opções, se é pra ser sincera. Dou tanto conselho aos outros, digo tanto que não vale a pena chorar por quem não merece e olha onde eu estou, deitada, banhada de lagrimas, escrevendo um texto e tentando passar pra ele tudo que to sentindo através de teclas e palavras. Porque não consigo seguir os meus próprios conselhos? Porque o que sinto eu não posso arrancar de uma vez, ou ele ir junto com as lagrimas, tanto faz.  Palavras essas que não dizem nem metade do que eu quero dizer, palavras que servem apenas de fachada para eu ler depois, me reconfortar e pensar comigo “não foi tão mal assim”. Só queria uma chance, uma única chance. Pra fazer o que eu não sei, mas eu preciso dessa chance. Se eu chegar lá eu vou saber o que fazer, o meu eu vai me guiar e eu vou fazer a coisa certa para mudar. Uma vez eu prometi não só a mim, mas a mim e a uma pessoa, que mudaria. Mudaria o meu jeito de agir, a minha maneira de pensar nas coisas, as minhas atitudes e decisões precipitadas – até demais – e eu consegui. Eu mudei por mim e por ela. Porque eu via nos seus olhos que quando falavam de mim ela se incomodava. Mas até hoje, só com ela que eu tive uma conversa assim, que eu fiz uma promessa assim, e que eu cumpri. E dizer que a única pessoa que pedi perdão em toda minha vida também foi ela. Uma mãe, a minha mãe.  Aprendi coisas com a vida? Sim, algumas. Mas ela me disse que ainda tenho muito a aprender, e esse talvez seja um dos motivos de eu não ter feito uma besteira que mudasse minha vida, e talvez afetasse a dela também. Não sei como ela se sentiria se um dia só visse uma mensagem no celular dizendo: “Eu te amo, adeus”. E por isso não fiz uma besteira, por isso eu to evitando ir para lugares, conviver com certas pessoas e agir como uma adolescente imatura. Porque não sei o quanto vai afeta-la, não sei qual o tamanho do seu “amor” por mim, e assim, não posso saber o quanto ela pode sofrer, ou não sofrer, sei lá. A única coisa que não quero, é vê-la sofrer. Me dói. Só sei que de todas as maneiras que eu tenho pra aproveitar essa vida, eu to aproveitando. E de todas as pessoas que eu posso ficar e aprender, e conviver, e viver, eu escolhi ela, seguir o exemplo dela, aprender um pouco, ou “um muito” com ela. E se me dessem a oportunidade de escolher de novo a quem admirar, eu escolheria ela de novo, e de novo, e de novo, todas as vezes. Quando penso na amizade que a gente construiu tiro tudo que me perturba da cabeça, penso duas vezes, por medo. Medo sim, medo de perde-la. Eu quase a perdi, e foi tão ruim que nada mais nesse mundo, por preço nenhum, nem por outra amizade nenhuma eu faria de novo alguma coisa que a magoasse, que a fizesse duvidar do que sinto, do que realmente sinto. Vamos viver tudo que a pra viver, assim diz a letra da musica, e depois de tentar transpassar o que sinto aqui, esse será o meu novo lema, será o meu novo objetivo de vida, viver. E que seja assim, e que continue assim. O sofrimento que vier, vem, mas vai embora. Se tudo que vai, volta, então tudo que vem também vai, se for pra seguir a lógica. Vou continuar vivendo, sofrendo, sendo, morrendo, revivendo, crescendo, aprendendo, “caminhando e cantando”.

Naianara Barbosa

A prática vale?


Poderíamos praticar e praticar até dar certo. Infelizmente – ou felizmente –, cada dia de nossas vidas tem sua própria performance. Parece que mesmo quando temos a chance de ensaiar, preparar e praticar, ainda assim não estaremos prontos para os grandes momentos da vida.

Naianara Barbosa


Aquelas crianças



Crianças que não são mais crianças. Não vivem como crianças e nem pensam como tais. Vivem numa sociedade que as prende e as chama para um mundo totalmente diferente do seu. E hoje vivem presas, sendo julgadas sem nem ter uma personalidade própria. Julgadas pela sua cor ou classe social. E desde crianças aprendem a ver o mundo com olhos maldosos. E será assim pelo resto dos dias, até verem como foram usadas.

Naianara Barbosa

O fim do conto de fada


Lá estava ela, mais uma vez ouvindo aquela musica que lhe fazia lembrar dele. E pensando naquela ultima conversa que eles tiveram. Ela se perguntava porque tinha que ser daquele jeito, ela simplesmente não entendia. Ela o amava demais, ele também a amava, mas se afastaram. As lágrimas estavam presas no seu olhar, ela não podia piscar, sabia que não podia ceder a tal sofrimento. As palavras dele soavam nos seus ouvidos como uma musica que a perturbava: – “Eu vou embora. O nosso amor acabou, e demoramos pra perceber isso.” Era como se ela sentisse toda dor de novo, só ao lembrar. Seu peito apertava a cada pensamento nele.
– “A que ponto chegou a nossa história?”
- “A um ponto onde não existe mais “nós”.” – As palavras dele soaram frias, sem compaixão. Ela não amava aquele que ela falava naquele momento, ela amava o que ela achou que ele era, em todos os outros. Ele fingiu, ou era verdade, o amor tinha acabado? Ela o tinha perdido? Esses pensamentos doíam, como uma lança, como um tiro, acabando com todo o seu pobre coração, levando a sua esperança, a sua vontade de tudo.
- “Pode parecer loucura, mas queria te pedir uma coisa” – Disse ele.
- “O que?”
- “Não me ame. Não mais. Nos iludimos, pequena. E eu não quero te decepcionar.”
- “Mas...” – As lágrimas vieram nos seus olhos, ela lembrava do rosto dele.
- “Não, não fala nada” – Disse ele, colocando um dedo nos seus lábios. – “Não vamos insistir no que não existe mais. Me esquece, pequena.” – E se virou. Esperando alguma manifestação, algum pedido a mais dela. E nada, houve simplesmente um silêncio profundo. Ela tentava engolir o choro. Ele tentava não olhar pra ela e voltar atrás.
Essas foram as palavras que mais doeram, “me esquece”... ele achava que seria fácil? Como doía, doía demais. Mas sabe o que era mais incrível? Ela mantinha um sorriso no rosto, sim, um sorriso que sinceramente, convencia a qualquer um. E ela continua assim, de dia sorrindo, e a noite pensando nele. Ele não sabe, ninguém sabe. Só ela. E levava seus dias assim, num frio e mentiroso conto de fada onde existe a felicidade.

Naianara Barbosa